Ed René Kivitz e alguns
complementos meus
Você sabia que foi
apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como
igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões
dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa (1Co 16:19,
Fm v.2), e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século
IV, após a conversão do Imperador Romano Constantino?
Você sabia que os cristãos não
chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V?
Você sabia que o primeiro templo cristão começou
a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe, Helena, em 327
d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das
basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos
templos pagãos da Síria?
Você sabia que as basílicas cristãs foram
construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no
centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente à cadeira do Bispo, que
era chamada de cátedra?
Você sabia que o termo ex
cathedra significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por
conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo?
Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex
cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele
falava à congregação, pois o Imperador Constantino, mesmo após a sua conversão
ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol?
Você sabia que o atual modelo hierárquico do
Cristianismo, que distingue clero (sacerdote) e laicato (leigo, ignorante
quanto à fé cristã), teve origem e/ou foi profundamente afetado pela
arquitetura original dos templos do período Constantino?
Você sabia que Jesus não
fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa
humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de
história?
Você sabia que o que chamamos hoje de
Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era
de Constantino (legítimo fundador da Igreja Católica Apostólica Romana), a era
da Reforma Protestante (começando por Lutero até o nascimento das Denominações
Evangélicas) e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos?
Você sabia que é praticamente impossível saber a
distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que
edificaria a sua ekklesia (igreja) e o que temos hoje como Cristianismo
Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e
Pseudopentecostal?
Você sabia que o terceiro evangelho,
Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só
obra, que hoje chamaríamos de “História das origens cristãs”? Sabia que os
livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro
evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.?
Nesse emaranhado de coisas que eu não sabia três
coisas eu sei.
A primeira é que a crítica que o mundo secular
faz ao Cristianismo Institucional (entenda-se Denominações) tem sérios
fundamentos, ou como disse Tony Campolo: “Os inimigos estão parcialmente
certos”.
A segunda coisa que sei é que nesta Babel que
vem se tornando o movimento evangélico brasileiro, está cada vez mais difícil
identificar a essência do Evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor.
A terceira coisa que sei é que vale a pena
perguntar aos primeiros cristãos o que eles entenderam a respeito de Jesus, sua
mensagem, sua proposta de vida e suas intenções originais. Vale a pena voltar
ao Evangelho. Não há outra fonte segura de informação e formação espiritual,
senão a Bíblia Sagrada, especialmente o Novo Testamento.
Existem muitas outras coisas que não sabemos, o nosso erro é o comodismo
de não estudarmos a Palavra de Deus e a historia do Cristianismo para
entendermos como chegamos até aqui, para sabermos discernir a verdade de
heresias impostas pelos homens. Hoje o evangelho que estamos vivendo é um
reflexo deste desleixo deixado por nós mesmos, já que na Palavra somos
advertidos: “Errais em não conhecer as
escrituras e nem o poder de Deus”. (Mateus 22:29). “O meu povo é destruído por
lhe faltar conhecimento” (Oséias 4:6). “Amados, não creiais em todos os homens,
mas provai se eles são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm
levantado no mundo”. (1Jo 4:1). “Nem todos que me diz: Senhor, Senhor! Entrará
no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai. Muitos me dirão
Naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? E em teu nome
não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E, então,
lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que
praticais a iniqüidade”. (Mt 7:21,23)

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